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Título: “Você não devia ter feito aquilo” : a construção da figura de Ângela Diniz na revista Manchete.
Autor(es): Chaves, Kézia Analla
Orientador(es): Tavares, Frederico de Mello Brandão
Membros da banca: Tavares, Frederico de Mello Brandão
Barbosa, Karina Gomes
Gonçalves, Mariana Barbosa
Palavras-chave: Ângela Diniz
Revista Manchete
Enquadramento
Sensacionalismo
Violência de Gênero
Data do documento: 2025
Referência: CHAVES, Kézia Analla. “Você não devia ter feito aquilo” : a construção da figura de Ângela Diniz na revista Manchete. 2025. 64 f. Monografia (Graduação em Jornalismo) - Instituto de Ciências Sociais Aplicadas, Universidade Federal de Ouro Preto, Mariana, 2025.
Resumo: Esta monografia analisa a construção da figura de Ângela Diniz na revista Manchete, investigando as estratégias editoriais e narrativas mobilizadas pela publicação entre as décadas de 1970 e 1990. A partir de um corpus de 19 reportagens publicadas entre 1973 e 1996, e com base no referencial teórico-metodológico da análise de enquadramento (framing), o estudo problematiza como a revista construiu imagens públicas contrastantes para a vítima e o seu assassino. A análise revela que Ângela Diniz foi consistentemente enquadrada entre o mito da “Pantera” e a transgressão, em uma narrativa que associava sua liberdade e autonomia a um destino trágico. Em contrapartida, Raul “Doca” Street, seu ex-marido, passou por um processo de humanização e redenção, sendo inicialmente apresentado como um criminoso passional e, posteriormente, reabilitado como um “cidadão pacato”. Conclui-se que Manchete articulou um enredo moralista e circular que, sob uma estética sensacionalista, reforçou a ideologia patriarcal ao punir simbolicamente a mulher transgressora e oferecer um caminho de reabilitação ao agressor, despolitizando a violência de gênero e reenquadrando-a como um drama passional.
Resumo em outra língua: This monograph analyzes the construction of the figure of Ângela Diniz in Manchete magazine, investigating the editorial and narrative strategies employed by the publication between the 1970s and 1990s. Based on a corpus of 19 reports published between 1973 and 1996, and using the theoretical and methodological framework of framing analysis, the study examines how the magazine constructed contrasting public images for the victim and her murderer. The analysis reveals that Ângela Diniz was consistently framed between the myth of the “Panther” and transgression, in a narrative that associated her freedom and autonomy with a tragic fate. In contrast, Raul ‘Doca’ Street, her ex-husband, underwent a process of humanization and redemption, initially being presented as a criminal of passion and later rehabilitated as a “peaceful citizen.” It can be concluded that Manchete articulated a moralistic and circular plot that, under a sensationalist aesthetic, reinforced patriarchal ideology by symbolically punishing the transgressive woman and offering a path to rehabilitation for the aggressor, depoliticizing gender violence and reframing it as a crime of passion.
URI: http://www.monografias.ufop.br/handle/35400000/9117
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